CANADA COMUNIDADE CURIOSIDADES CURIOSIDADES IMIGRAÇÃO MUNDO

Toronto – A cidade mais brasileira do Canadá

Foto: Jon Bilous

A maior parte dos brasileiros que se muda para o Canadá, escolhe a cidade de Toronto para viver. E isso porque ela possui um conjunto de fatores que atrai cada vez mais os imigrantes do Brasil. Toronto, que é a maior cidade do país e a quarta maior da América do Norte, possui uma atividade intensa no que diz respeito à cultura, às artes, ao comércio e à indústria. Além disso, possui baixas taxas de desemprego, e é considerada a capital econômica e financeira do Canadá.

Os imigrantes também adoram Toronto porque é uma cidade bastante cosmopolita, e possui um número considerável de residentes estrangeiros – aproximadamente 49% da população.

De acordo uma pesquisa realizada pela Economist Intelligence Unit (EIU), que é uma consultoria ligada à revista britânica The Economist, Toronto foi apontada como a 4ª melhor cidade para se viver, perdendo apenas para Vancouver, Viena e Melbourne.

Para a profissional de exportação e importação Letícia Vaccari Labarca, que vive em Toronto há mais de 12 anos com o marido Sidnei Ramalho, e agora com o filho de 4 meses – Matthew, a qualidade de vida foi um ponto importante a ser considerado no momento em que a família optou pela cidade. Segundo Letícia, a cidade tem 2000 parques, e é moderna, ativa e em pleno desenvolvimento. Além disso, fica perto de Montreal e Nova York – aproximadamente uma hora de voo.

Segundo o engenheiro Sidnei Ramalho, a cidade é limpa e segura, se comparada a outras grandes metrópoles. “O trânsito é bom, porém como em qualquer cidade grande, precisa melhorar” – afirma.

Sidnei, Letícia, Matthew e o cachorrinho Sparkey

Em busca de segurança

A professora brasileira Noelle Molinari, que mora há 17 anos em Toronto, conta que foi ao país para buscar mais segurança e organização. “Eu vim a Toronto  com meus pais e minha irmã, quando tinha 13 anos de idade. Meus pais decidiram sair do Brasil devido à corrupção e à violência” – diz.

A professora, que nasceu em São Paulo, conta que às vezes passa as férias na cidade, e a considera muito poluída, movimentada e com muitas notícias desagradáveis. “Eu não voltaria ao Brasil para morar!”- afirma.  Ela relata que não tem medo de sair sozinha na cidade de Toronto, seja durante o dia ou à noite. “Em Toronto posso andar sozinha com joia e roupas de marca, no metrô, à noite, e sei que nada irá acontecer comigo!” – comenta. Segundo Noelle, muitas pessoas usam laptop e iPad à vontade e na frente de qualquer pessoa no metrô, pois não há risco de serem assaltadas.

Estação de metrô de Toronto – Foto: Wikimedia

Particularidades de Toronto

Toronto é a cidade multicultural da América do Norte. Mesmo sem querer, os imigrantes podem aprender sobre outras culturas, conviver com pessoas de diversas partes do mundo, além de se enriquecer com as diversas manifestações artísticas que a cidade oferece.

Toronto recebeu o título de “Capital cultural do Canadá”. Isso porque concentra um grande número de museus, galerias de arte, teatros e outros. Os principais são: Teatro Royal Alexandra, Teatro Princess of Wales, Centro de Artes de Toronto, Centro de Artes de Toronto, Bata Shoe Museu, Design Exchange e muitos outros.

Teatro Princess of Wales – Foto: Trip Advisor

É importante saber

Existem algumas questões que o imigrante deve saber antes de mudar para o Canadá. Uma delas é sobre a diferença de clima em relação ao Brasil. Em Toronto as temperaturas durante o verão não são tão altas – os termômetros raramente ultrapassam os 26ºC. A estação começa em junho e vai até o começo de setembro. Essa época é mais úmida e as chuvas são mais constantes. Já o inverno na cidade vai de dezembro a fevereiro, é bastante rigoroso e as temperaturas oscilam entre -2ºC e -10ºC. Nesta época, a possibilidade de chuva é média, porém neva bastante. A estação mais fria compreende os meses de dezembro, janeiro e fevereiro.

Toronto durante o  inverno – Foto: Oi Canadá

Também há uma diferença entre os brasileiros e os canadenses, no sentido do acolhimento, receptividade, humor e animação. No Canadá as pessoas são mais reservadas, mais sérias e não tão alegres quanto o povo brasileiro. “Bem diferente do Brasil, onde as pessoas estão acostumadas com churrasco e futebol com o pessoal da empresa ou mesmo fazer um happy hour após o trabalho, saiba que em Toronto não tem muito disso!” – afirma Sidnei Ramalho, marido de Letícia. O engenheiro também cita um fato que presenciou durante a Copa do Mundo de Futebol, demonstrando que animação dos canadenses não é a mesma dos brasileiros. “Durante a Copa, os brasileiros não vão encontrar, por exemplo, pessoas pintando as ruas de verde de amarelo num sábado de manhã” – comenta.

O mercado de trabalho

Foto: Memimpin

Toronto está em pleno desenvolvimento e, justamente por isso, muitas pessoas querem se estabelecer na cidade para buscar novas oportunidades, principalmente de emprego.

Um item bastante importante a ser considerado pelos brasileiros que pensam em morar tanto em Toronto, quanto no restante do Canadá, é que eles estejam adequados à tão comentada “Experiência Canadense” – que nada tem a ver com experiência profissional, como muitos imaginam. Na verdade o termo se refere a um conjunto de habilidades adquiridas por meio de conhecimento prático e teórico. Em resumo, é a capacidade que o estrangeiro tem para entender a cultura local de trabalho, se adaptar a ela e agir de acordo com a expectativa do mercado de trabalho canadense. Veja quais são:

– Prática da língua inglesa: comunicação verbal e escrita, tanto formal quanto informal;

– Saber sobre as práticas utilizadas pelo sistema canadense de trabalho;

– Ter noções básicas da legislação canadense, considerando as exigências profissionais e as práticas de socialização;

– Ter habilidade para absorver a cultura do mercado de trabalho canadense;

O trabalho voluntário também pode ser algo bastante favorável para que a pessoa adquira certa experiência na área em que pretende atuar no país. E isso será muito considerado durante uma entrevista de emprego, pois o imigrante será bem avaliado, caso apresente esta vivência em seu currículo.

Ter uma boa rede de contatos (network) também poderá auxiliar o imigrante durante a busca de um emprego. E esta rede deverá ter pessoas de diversas nacionalidades – o que não será difícil, uma vez que o Canadá é um país que tem muitos estrangeiros.

Também é importante saber que nem sempre o imigrante encontrará emprego na mesma área em que atuava anteriormente no Brasil. Em certos casos, ele poderá optar por um totalmente diferente daquele em que tem experiência.

Segundo a professora Noelle Molinari, existem vários programas aos imigrantes de todas as nacionalidades. Existe por exemplo, aulas de ESL (English as a Second Language) para quem acabou de chegar ao país, que são pagas pelo governo. Há também workshops que auxiliam os imigrantes para a elaboração do currículo e ajudam a procurar emprego.

Letícia e Sidnei contam que, logo que chegaram a Toronto, conseguiram empregos mais simples e comuns aos imigrantes. Porém, após algum tempo na cidade, eles foram estudar novamente. Letícia fez uma especialização na área em que atuava – Importação e Exportação – e Sidnei estudou Engenharia Mecânica – área bem diferente da sua no Brasil, que era Tecnologia da Informação. Hoje ele tem um excelente emprego, e trabalha como gerente de uma empresa. Letícia parou de trabalhar por conta da maternidade. Porém, eles enfatizam que é necessário muito esforço, empenho e dedicação. “Não foi uma tarefa fácil! Para as coisas começarem a acontecer, leva algum tempo!” – comenta Letícia.

Preconceito

Os brasileiros que vão viver em Toronto e em qualquer parte do Canadá devem  estar cientes de que existe a questão do preconceito ao estrangeiro – assim como em qualquer outra parte do mundo. “Infelizmente, existe o preconceito  aqui no Canadá!” – diz Letícia. Ela afirma que a única diferença é que as pessoas são educadas o suficiente para saber o que devem ou não falar ao imigrante, pois elas sabem as consequências que um comentário infeliz pode lhes trazer. “Ver um imigrante tentando falar o inglês, trabalhando na limpeza ou na construção é algo normal e cotidiano. O que realmente é difícil e causa estranheza aos canadenses, é ver um imigrante num cargo de responsabilidade em uma grande empresa!” – comenta Sidnei. Portanto, há preconceito mesmo que o imigrante domine o idioma, seja qualificado e tenha um ótimo emprego.

O casal disse que, há pouco tempo, encontrou um senhor yugoslavo de 77 anos, que vive no Canada há 57 anos. Eles estavam falando sobre as diferenças culturais, sobre “ser ou não ser” canadense, quando o idoso com muita sabedoria disse ao casal: “Mesmo após todos esses anos morando aqui, nunca vou me sentir canadense”. E isso, segundo o casal, acontece porque, ao contrário do povo acolhedor que conhecemos no Brasil, os norte-americanos – de um modo geral – são muito fechados e individualistas. Na verdade, o que existe é a diferença cultural, que faz os canadenses serem mais reservados que os brasileiros. Por isso, os brasileiros sentem esta diferença.

Legislação

Foto: Unifacs BR

Durante os últimos 10 anos, aconteceram muitas mudanças de governo no Canadá, principalmente em relação às leis de imigração. Por isso, é importante que os imigrantes entendam o que de fato significa sair do país de origem e viver em outro. Segundo a brasileira Letícia Labarca, o Canadá é um país bem mais novo do que o Brasil, porém mais maduro e com uma organização bem  definida. Além disso, possui um sistema de arrecadação de impostos mais transparente, porém com taxas tributárias elevadas”. Para ela, desde que a família chegou ao país em 2005, muita coisa mudou. “Tínhamos um governo conservador, que não era tão favorável aos novos imigrantes. Agora, temos um governo liberal, que fez com que a imigração ficasse mais simples” – conta.

Saúde e Educação

Toronto Western Hospíta Krembil – Foto: Wikipedia

 O sistema de saúde do Canadá é um dos melhores do mundo e ele realmente funciona.  Os governos de cada uma das dez províncias canadenses têm autonomia sobre a organização dos serviços de saúde, e estes são regidos por quatro princípios – a universalização das garantias, a gestão pública, a integralidade ou o caráter completo da atenção e a portabilidade – e controlados pelo governo federal. O sistema é definido como um seguro público ou nacional, financiado por fontes fiscais compartilhadas entre os governos federal e provincial. O serviço fica a cargo de prestadores privados, com diversas formas de credenciamentos e contratos.

Em Toronto, o sistema público funciona da seguinte maneira: as pessoas devem escolher um médico de família – clínico geral – que as atenderá num primeiro momento, independente do motivo pelo qual ele está sendo solicitado.  Dependendo do diagnóstico, este médico encaminha os pacientes a um especialista. As pessoas também podem recorrer a este médico de família para  fazer um check up, por exemplo. No caso de Letícia Labarca, que solicitou atendimento ao médico de família quando descobriu sua gravidez, este a acompanhou durante os três primeiros meses de gestação e depois, a encaminhou para um obstetra. Ela afirma que ficou muito satisfeita com todo o atendimento e que o sistema de saúde realmente funciona no Canadá. “O atendimento público foi 100%, excelente mesmo!” – diz Letícia. O parto normal é o mais realizado em todo o país, e a cesariana só é indicada em situações específicas.

Esse sistema de saúde canadense é chamado de OHIP – Ontário Health Insurance Plan – e por intermédio dele, tanto as consultas médicas, quanto as vacinas, Raio X, e médicos especializados são pagos pelo governo. Caso a pessoa precise ir a um hospital, o OHIP cobre a maioria dos gastos, exceto ambulância.  A professora Noelle Molinari diz que presenciou esta cobertura realizada pelo governo, quando o bebê de um casal de amigos adoeceu. “Nossos amigos ficaram sabendo há 3 anos que seu bebê estava com leucemia e todo o tratamento foi pago pelo governo” – conta Noelle.

Já a educação pública também é de ótima qualidade em Toronto, e o ensino canadense está entre os dez melhores do mundo, em disciplinas como Matemática, Ciências e Interpretação de texto.

Escola canadense – Foto: Carlos Osório

Toda criança que nasce em território canadense recebe uma ajuda do governo por mês, que tem por base a renda da família. Além disso, quando os pais abrem uma conta poupança aos bebês e depositam algum valor, o governo – em seguida – dobra esta quantia. Por exemplo, se for depositado 100 dólares na conta da criança, o governo deposita mais 100, como forma de incentivo para que, um dia mais tarde, esse valor ser utilizado em algum curso universitário. Porém, este dinheiro não pode ser retirado antes que o dono da conta complete 18 anos de idade.

Pontos positivos e negativos 

Foto: Sidnei Ramalho

Perguntamos aos nossos entrevistados os pontos positivos e negativos de morar em Toronto.

Positivos:

– Segurança;

– Diversidade cultural;

– Cidade moderna e dinâmica;

– População educada;

– Diversidade de parques;

– Educação e saúde gratuitas (imposto);

– O trânsito é bom;

– Ajuda financeira a estudantes universitários;

– Proximidade a cidades como Montreal e Nova York;

– A licença maternidade tem a duração de um ano. O governo paga mais ou menos 50% do seu salário;

– Ao perder o emprego, a pessoa pode recorrer ao “EI” (Employment Insurance) e o governo oferece uma ajuda financeira até que ela consiga um novo trabalho;

– Durante o verão, as piscinas do bairro são abertas e todos podem utilizá-las. E, apesar de públicas, elas são muito limpas;

– Existe cinema para as mamães com seus bebês, caso estejam de licença maternidade.

Pontos negativos:

– Inverno longo;

– Os canadenses não são tão espontâneos quanto os brasileiros, são mais sérios e reservados;

– As casas em Toronto são caras – média de $700 mil para uma casa pequena;

– Ter que colocar os filhos na escola do bairro – necessariamente;

– A pizza e o sushi não se comparam aos do Brasil – que são bem melhores;

– Legalização da maconha – preocupante para quem tem filhos;

– Preconceito.

 

 

 

 

 

Alethéa Mantovani é jornalista e pedagoga. Trabalha com jornalismo impresso, webjornalismo e assessoria de imprensa. Adora escrever sobre comportamento, educação, moda, turismo e temas da atualidade.

Canal Perguntas no YouTube

Anúncios

RECEBA NOVIDADES

Facebook